
FÁBIO SCARAMBONI CANTINELLI
Psiquiatra – Psicoterapeuta de Orientação Junguiana – Coach
Chefe da Psiquiatria do ICESP
Diretor Técnico da Unidade de Dependência Química da Clínica Maia
Maçom regular e, atualmente, Delegado Distrital do Sereníssimo Grão Mestre-GLESP
ESTRESSE: ENTENDENDO E DESARMANDO ESTA BOMBA RELÓGIO
Estresse é um termo de uso
bastante popular, mas que originalmente foi importado da metalurgia, indicando
a capacidade de uma material, normalmente um metal, deformar-se quando
submetido a um trabalho. Em seres humanos, representa a sobrecarga física e emocional
a que somos submetidos e o quanto somos impactados ou não.
Estresse pode ser entendido sob
diversos olhares. O olhar médico remete ao clássico conceito da Síndrome Geral
de Adaptação, desenvolvido pelo médico Hans Selye nos anos 1930 em diante, a partir
da observação da hipertrofia da glândula suprarrenal, da atrofia de órgãos
linfáticos e surgimento de úlceras gástricas. Descobriu-se a implicação do
hormônio cortisol em sua gênese e a série de consequências orgânicas
desencadeadas, entre as quais, interferência direta na resposta imunológica,
modificando a secreção de substâncias envolvidas como interleucinas e células
da resposta imune.
Do ponto de vista social e
filosófico, características da modernidade, do ritmo e exigências do mundo
atual podem ter o seu impacto.
As fontes de estresse são
múltiplas, mas podem ser divididas em internas, tais como pensamentos, emoções,
fantasias, e externa, como nossas relações familiares, de comunidade, trabalho,
locomoção.
Estresse pode ser bom ou ruim,
conforme nos afete. Ele pode ser mesmo fundamental na defesa de nosso organismo
e ruim à medida que desestabiliza outros sistemas do organismo. Normalmente o
estresse que nos impacta é o crônico, aquele que se mantém dia a dia, de forma
contínua e permanente, de tal forma que, muitas vezes, não reconheçamos sua
presença e impacto, embora o estresse muito agudo, de uma ocorrência repentina,
pontual e grave também nos impacte.
O estresse se manifesta de formas
diversas e alguns sintomas podem ser indicativos, como cansaço, fadiga,
prejuízo do funcionamento cognitivo, alterações de comportamento, irritação,
angústia, medo, dificuldades de sono, ansiedade. Muitas vezes, há uma somatória
tal destes sintomas que se configuram quadros psiquiátricos específicos,
principalmente transtornos ansiosos e depressivos.
Reconhecer a fonte do estresse é
o primeiro passo de sua abordagem. Todavia, há uma série de precauções que
devemos tomar que facilita nossa proteção: Ter alimentação saudável, atividade
física regular, ter rotina de lazer e hobbies, fazer meditação, desenvolver
nossa espiritualidade são medidas fundamentais. Palavra-chave é a busca de um equilíbrio
físico e psíquico.
Em alguns casos, medidas mais
específicas podem se fazer necessárias. Busca por psicoterapia, considerando-se
aqui as mais diversas técnicas existentes. Em outros casos, talvez mais
intensos, o uso de medicação pode e deve ser feito, quando há muito sofrimento
e prejuízo funcional.
Por fim, o estresse pode
representar uma jornada de transformação. Entendê-lo, atribuir o devido
significado pode ser o estabelecimento de uma grande jornada de transformação
de nossa vida. Estresse pode ser uma grande metáfora da nossa existência.

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